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Não preciso mais ir pra escola

Eu estava em casa e precisava chegar na escola para ter aula, mas por algum motivo eu não conseguia.
Aquilo ia me dando uma angustia, eu ficava desesperada, achando que nada ia dar certo, porque eu precisava ir pra aula.
Então, uma sensação incrível de relaxamento toma conta de mim, e eu percebo que não preciso ir pra aula.
Eu penso "eu não preciso ir, já fechei todas as matérias, não tenho muitas faltas, se eu não for hoje tudo bem, não vou me prejudicar". Fim

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O mais entranho desse sonho é porque era um sonho recorrente que eu tinha, esse de que eu precisava chegar na escola e não conseguia, ou eu estava na aula e pensava que não conseguiria passar de ano.

Eu sofri com isso de verdade, tive muita dificuldade para me formar no colegial, eu passava por altas angustias em relação a isso. Por um lado, meus pais me falavam que se eu repetisse, eles iam me tirar da escola.
Por outro, eu realmente me esforçava naquilo que eu não era boa, e muitas vezes não conseguia tirar nota.
E por mais um lado, eu odiava perder parte da minha vida assistindo aula, e sempre que podia eu cabulava aula e ficava zoando mesmo.

Foi um sacrifício muito grande que fiz para conseguir me formar. O dia que eu peguei o diploma, tive uma sensação incrível... eu nem acreditava que tinha um diploma!
Mas mesmo assim, esse sonho me perseguiu por todos esses anos! Faz tipo 8 anos que eu terminei a escola e ainda tinha esses sonhos!

Recentemente eu inventei de fazer um técnico, já que eu nunca estudei nada, só tenho o ensino médio.
Mesmo sendo concursada, sentia a necessidade de ter uma "profissão", mesmo que nunca use na vida.

Daí fiz o técnico em contabilidade, e a sensação de que não ia conseguir terminar era muito grande, apesar de não ter tido dificuldade real nas matérias.
Quando eu consegui terminar, foi um alívio enorme.
Hoje sou técnica em contabilidade, tenho inclusive inscrição no CRC (conselho regional de contabilidade) com direito a carteirinha funcional e tudo, e como que para coroar essa nova fase, tive esse sonho.

Agora estou fazendo faculdade a distancia, não tenho mais medo! :)

Expedição para salvar pessoas num ataque de zumbi

Era um mundo dominado por zumbis.
Eles são lerdos, não correm, não são muito selvagens.
Porém, fedem e são nojentos. E tem aquele brilho no olho, da dó, parecem vivos.

Eu não gosto do acampamento que os humanos remanescentes fizeram. Me sinto mal lá, tentando viver uma vida que não existe mais, enquanto pode ter gente nas cidades, precisando ser resgatadas.

Além disso, não tenho medo dos zumbis. Eles são estúpidos o suficiente para você passar correndo perto deles, e nada como uma paulada na cabeça para que parem de se mexer. É só tomar cuidado, usar roupas compridas e grossas para não ser arranhado e evitar entrar no território deles a noite, porque não temos mais eletricidade.

Minhas incursões na cidade também servem para pegar remédios, mantimentos, suprimentos em geral. Distribuo entre os que precisam, nunca reconheci a liderença do acampamento, que como esperado é corrupta e pouco me ajuda.

Vou sempre sozinha, tenho dificuldade em confiar nas pessoas e não gosto de carregar peso morto.
Estou andando de moto por uma rua, eles me vêem, andam na minha direção, abrem a boca e balbuciam sons sem sentido.
Enquanto andam se arrastando por aí, dá para ver que escorre um líquido pegajoso deles, um tipo de chorume.

Há pouco tempo encontrei uma loja de armas, coisa rara num país onde arma é praticamente proibida pro cidadão comum. Existem poucas armas no acampamento, e ficam na mão de poucos também. Nunca levei as armas que achei pra lá, tenho meu próprio esconderijo... independente de quem tiver as armas, quanto menos melhor.
Antes de achá-las, eu estourava a cabeça dos zumbis com pedaços de pau cheios de prego ou com um velho taco de baseball que tinha em casa (esse foi o que salvou minha vida quando o surto começou).

Agora com armas e munição, tenho treinado minha pontaria. As vezes atiro neles por diversão. Já me peguei na curiosidade de olhar o corpo deles, apesar do odor repugnante: suas feridas recentes tem pus, e as mais antigas já estão carcomidas pela gangrena.

Percebo em volta de um prédio que há lixo recente, latas e garrafas, até papel higiênico. Provavelmente jogados de uma janela.
Resolvo que vou entrar no prédio, se tem gente refugiada lá, mais cedo ou mais tarde vão ficar sem comida e vão precisar sair. Melhor que saiam comigo.

É um prédio único, sem portaria. Chuto a porta na fechadura até que ela abra, está escuro lá dentro, o máximo que consigo enxergar é da luz do sol que vem de fora.
Na rua não tem ninguém, deixo a porta aberta para atrair quaisquer criaturas que houver lá dentro.
Espero.
Sai um homem, não consigo definir se é um homem negro ou se a cor se deve a sua pele estar em carne viva. Ele se movimenta muito devagar e eu espero mais um pouco, porque se atirar nele na porta do prédio, vou ter que mover o corpo pra poder entrar e não estou a fim de sujar minha roupa hoje.

Ele sai, atrás vem mais um... ótimo, enfilerem-se para o abate.
Atiro em um, atiro no outro.
Espero mais um pouco, aparentemente não vai mais sair ninguém.
Entro com cuidado, está vazio. No andar térreo não tem apartamentos, subo pelas escadas para o próximo andar. Nos corredores não tem zumbis, o cheiro está até tolerável.

São dois apartamentos por andar. O primeiro deles está com a porta semi aberta, só fechado com aqueles trinquinhos de corrente na porta. Bato devagar na porta, mesmo sabendo que não vou encontrar boa coisa ali.
Vem uma mão de mulher pra fora, unhas quebradas, sujas de sangue em volta, depois chega o rosto meio mutilado, a boca aberta babando um líquido escuro.
Dou um tiro na testa e acabo com o sofrimento da pobre coitada.

Puxo a maçaneta e fecho a porta. Com um spray, faço um X vermelho ali, que pode ser interpretado como "não entre - aqui só tem carniça", ou qualquer outra coisa pior.
Vou para a próxima porta, bato 2 vezes e me afasto numa distância segura.
Ouço uma voz gritando lá de dentro:
- Não tem pão velho.

Em meio a tanta desgraça, aquilo foi absurdamente engraçado. Uma pessoa viva, e com senso de humor. Ótimo, era o que eu precisava para salvar meu dia.
A porta se abre, um homem de uns 30 anos, cabelos claros totalmente despenteado e barba por fazer, fica parado entre a porta e o apartamento me olhando desacreditado.
Guardo a arma na cintura:
- Tem um acampamento com pessoas vivas, você não precisa mais ficar nesse Castelo dos Horrores.
- Obrigado, mas não obrigado.
E fecha a porta na minha cara.

Bato na porta de novo, agora com o revolver na mão.
Ele abre, agora com uma cara 50% entediada, 50% insana.
Novamente sou eu que tem que começar a conversa:
- O que você vai fazer quando acabar sua água e comida? Vai pedir uma xícara de farinha pra sua vizinha zumbi?
- Eu não me importo, aqui tenho minha família e quando não aguentar mais vou me entregar pra eles.
Ele escancara a porta e vejo várias pessoas sentadas nas cadeiras da mesa de jantar, presas por correntes. Estão todos cobertos de sangue, desgrenhados, roupas sujas. Há 3 adultos, e uma criança. Quando olho com atenção, a criança não tem lábios, parece que foram arrancados com os dentes, comidos.

O senhor entediado-insano se senta no sofá e começa a falar, mas não comigo.
- E então Beth, o que você acha da nossa convidada para o jantar?
Então ele faz uma voz de mulher e responde a si mesmo:
- Adorável, meu amor. Vou por mais água no feijão.
Agora com uma voz infantil e esganiçada:
- Papai, papai, posso mostrar pra ela minha boneca nova?

Aquilo é deprimente demais, e desse aí posso salvar o corpo, mas a mente já era.
Faço um favor para mim mesma e fecho a porta do apartamento, faço um X vermelho. Ele não vai durar muito tempo, aposto que será a sobremesa do jantar.

Subo mais um lance de escadas.
Um dos apartamentos desse andar nem tem mais porta, foi derrubada. Faço algum barulho e fico esperando. Ninguém.
Entro, está tudo revirado. Na pia tem restos de comida mofados, muitas moscas.
Desde que os zumbis apareceram todo lugar que se vai tem moscas, primeiro porque esse monte de defunto ambulante atrai inseto, segundo porque provavelmente a dedetização começou a vencer e ninguém está aqui para passar veneno de novo.

Saio e fecho a porta, não faço nenhum sinal nessa, está livre.
Na casa ao lado, nem vou bater... tem alguém - ou alguma coisa - se jogando na porta. É possível ouvir - tum - e algo que cai no chão. Arranha o chão para levantar - tum - o corpo bate na porta e cai no chão de novo.
X vermelho na porta. Próximo andar.

Duas portas fechadas.
Bato em uma, o buraco do olho mágico escurecesse.
Fico atenta, arma na mão.
A porta se abre, um homem de meia idade aparentemente saudável me vê, se assusta com o revólver e fecha a porta de novo.
Guardo a arma, bato de novo
- Guardei a arma, tá tudo bem, isso é só pra se proteger das criaturas.
O ritual se repete: o buraco do olho mágico escurecesse e a porta abre.
Vejo uma família, pai, mãe e 2 filhas, uma adolescente aparentando 15 anos e outra com cara de 9 anos.

Eles me convidam para entrar, aceito, parecem todos saudáveis.
- Você está perdida? Não temos muito, mas se você quiser ficar... - oferece o pai.
- Não, não... Há um acampamento. Tem comida, água, remédio. Se vocês quiserem ir, posso levá-los até lá.
- Mas como? Andar nessas ruas cheias de mortos é loucura! - diz a mãe.
- Tem uma van, não muito longe daqui. Usei recentamente para levar coisas para o acampamento. Dá para irmos todos pra lá, e ainda sobra espaço para para as malas, se quiserem levar alguma coisa

Toda vez que escolto alguém pro acampamento fico sentindo um pequeno arrependimento. Gosto do desafio e da emoção de desbravar a cidade sozinha, mas quando tem gente comigo, me sinto responsável por elas, e deixa de ser divertido.
Eles parecem boas pessoas, e o arrependimento quase foi embora, até que...

Eles me deram um pouco de refrigerante quente para beber enquanto arrumavam algumas malas. Roupas, sapatos e o resto do que tinham de comida.
Parecia uma família se arrumando para uma viagem para a praia. Ouvia a mãe dizendo para as filhas não levarem o que não fosse usar, a filha menor implorando para poder levar suas bonecas.
Alguma coisa já estava arrumada quando o pai veio falar comigo.

- Elas já estão terminando. Estou preocupado, como vamos correr carregando malas nessas ruas perigosas?
- Vocês não vão andar, vão ficar aqui enquanto eu busco a van. Estacionarei na porta do prédio, e só então vocês descem.
- Você vai sozinha? Por favor - começou a chorar - não nos abandone agora... Deixe-me ir com você. Não posso deixar que a única esperança que minhas filhas tem de sobreviver simplesmente saia pela porta. Vou junto.

Não gostei da idéia, nunca gosto, mas o homem chorava e não consegui dizer não.
Ele se despediu da família, e descemos juntos. No térreo, ele apontou para uma porta corta fogo, que além de fechada tinha algumas ripas de madeira ajudando a mantê-la fechada.
- Ali é a garagem do prédio, podemos pegar meu carro ao invés de nos colocar em risco na rua.
- Alguém fechou essa porta e teve o cuidado de colocar essas madeiras, você realmente acha uma boa idéia entrar aí?
Falei enquanto abri a porta para a rua. A luz do sol, o vento e a visão dos dois corpos no chão não fizeram bem para meu novo companheiro de jornada. Ele entrou em pânico, se jogou no chão em posição fetal e começou a se balançar devagar pra frente e pra trás.

Fechei a porta, me ajoelhei, toquei em seu ombro. Ele se acalmou um pouco, se sentou e olhou pra mim.
- Eu sei que é difícil, mas não tem problema, sobe lá e fica com sua família... eu volto em 5 minutos, ou menos. Estou acostumada a andar por essas ruas e já limpei o caminho quando cheguei. E se eu for sozinha, vou de moto, chego ainda mais rápido. Fica tranquilo.
Ele se acalmou, ficou de pé e concordou comigo. Mandei ele subir de volta para o apartamento e saí.

A rua estava deserta, peguei a moto e fui para o lugar que estava a van.
As grandes avenidas estavam apinhadas de carros bloqueando a passagem, todas as rotas possíveis era usando ruas de bairro, nisso a moto era uma grande facilitadora.
Tive que ter o cuidado de traçar mentalmente um caminho onde uma van conseguiria passar.

A viagem foi tranquila, alguns zumbis me viram mas nenhum conseguiu chegar perto.
Deixei a moto num canto, entrei na van. Poucos veículos ainda tinham bateria e combustível, e por isso eu não levava a van para o acampamento. Eu a deixava na rua para ninguém sumisse com ela. Afinal, mais difícil que achar uma agulha num palheiro, é achar uma certa agulha no meio de outras agulhas.

Cheguei com a van até o prédio, entrei e para minha surpresa a merda da porta da garagem estava aberta.
Muito bem, o senhor acaba de por sua família em perigo.
Voltei para a van e peguei uma lanterna que estava no porta luvas. Teria sido melhor para mim se tivesse simplesmente fechado a porta da garagem e levado as mulheres embora.
Com a luz da lanterna, pude ver o pai de família no chão, deitado, morto, e quatro ou cinco cidadãos do inferno se alimentando de suas vísceras, eles nem olharam para mim. Eu definitivamente podia ter passado sem essa.

Fechei a porta corta fogo. Fiz um X vermelho, subi.
Bati na porta, olho mágico, trinco, porta aberta.
- A van está lá embaixo. Vocês vão ter que se virar com as malas porque alguém tem que segurar o revólver.
- Cadê meu pai? - disse a garota adolescente.
- Lá embaixo, vamos logo. - De certa forma, não era mentira.

Fui a primeira a sair na rua, pedi que elas esperassem um pouco lá dentro.
Havia alguns mortos na outra esquina, andando de forma errante, calculei que até nós verem e andarem em nossa direção já teríamos saído dali.
Sem fazer muito barulho, abri a porta de trás onde se coloca as cargas, e a porta do passageiro.
Entrei no prédio e mandei que viessem rápido e sem fazer barulho, entrassem pelo compartimento de carga com as malas e fechassem a porta atrás de si.

Quando saímos, a mãe e a criança entraram, porém a adolescente olhou em volta e começou a gritar:
- Cadê meu pai?
Eu esperava que estaríamos já com o carro em movimento quando eu contasse a historinha que inventei de que o pai se sacrificou para que elas se salvassem. Mas não teve jeito.
- Entra no carro e eu te falo.
- Não! - ela gritava - Cadê meu pai? Onde você colocou ele?

Com tanto barulho, os zumbis nos viram e começaram a andar em nossa direção. A distância era de mais ou menos meio quarteirão, em geral eles eram lerdos, mas sempre tinha um ou outro que andava quase como uma pessoa normal e por isso não podíamos perder tempo.
Fechei a porta de trás da van, e puxando pela gola da camiseta, comecei a arrastar a menina pra dentro do carro pela porta do carona que estava aberta.

Ela começou a se debater e gritar:
- Está ali - apontando para onde os mortos estavam - Por que você quer largar ele aqui? Por que?
E saiu correndo na direção aos zumbis. Nessas horas eu penso que o mundo está de ponta cabeça, mas a seleção natural não falha.
Peguei a arma, atirei em um, ele caiu no chão. Fui atirar no outro, acabou as balas. Droga.
Não tinha tempo para recarregar e ter certeza de que não estaria colocando em perigo o que restou da família.

Entro no carro pela porta do carona, fecho, vou pro lado do motorista. Consigo ouvir a criança chorando, e a mãe tentando acalmá-la, mas também com o rosto cheio de lágrimas.
Dou partida, e assim que começo a andar, a menina encontra o primeiro zumbi.
Ela começa a chacoalhá-lo. Seria engraçado se não fosse trágico.
Outro a alcança, e nisso estou com a van em cima deles, paro do lado para puxá-la para dentro.

Quando vejo, já é tarde demais.
Ela está totalmente desvairada, mas tem alguns machucados no corpo. Ela foi contaminada.
Vou embora, a caminho do acampamento.
Algumas quadras depois, a mãe consegue sair do estado de choque e vem tirar satisfação comigo.

- Você acha que ela conseguiu?
- Conseguiu o quê?
- Lutar contra... aquelas coisas.
- Não, eu fui embora porque ela estava infectada.
- Não é possível, você precisa voltar.
- Você não vai querer que eu volte.
- Por favor, eu preciso! Eu não posso abandonar minha filha desse jeito.

Fiquei com pena. Parei a van, o lugar parecia seguro.
Recarreguei a arma enquanto a mãe e a filha se acomodavam no banco da frente junto comigo.
Achei estranho que ela não perguntou do marido, e comecei a falar... ela pôs os dedos nos lábios, indicando silêncio, e apontou para a criança. Entendi. Ela não quer traumatizar ainda mais a filha. Depois conversaremos de mulher para mulher, e ela conta para a menina o que achar adequado.

Manobrei o carro de volta, quando estavamos quase lá, já pude ver.
A menina não fora devorada, alguns tem essa sorte - ou azar - mas viram mais um desses canibais.
Ela andava devagar, arrastando um dos pés.
- Você quer mesmo ver?
- Sim.

Fui andando devagar, e parei do lado. Estavamos com os vidros fechados, era seguro.
Esse ser errante que outrora foi a filha da mulher que estava do meu lado, se virou para nós. Os olhos ainda estavam vívidos, mas não eram mais da adolescente que conheci no prédio, era de outra coisa.
Ela se jogou em direção ao vidro do carro, a criança começou a gritar.

Arranquei com o carro e partimos.
Quando chegamos no acampamento, ajudei a descarregar as malas.
Elas foram encaminhadas para uma triagem e ficariam em quarentena, procedimento de segurança padrão de todos que vêm de fora para lá. Depois seguiriam a vida.
Quando fui me despedir, a mulher finalmente perguntou sobre seu esposo.

- Nós fomos cercados, e ele acabou se usando de isca enquanto eu pegava a van para resgatar vocês. Ele fez de tudo para que fossem salvas.
- Tem certeza que foi isso que aconteceu?
- É assim que você vai lembrá-lo e passar a memória para sua filha.
Ela assentiu, mesmo que no fundo soubesse que eu tinha contado uma mentirinha. Ela bem sabia que era melhor assim.

Enquanto me virava para ir embora, ela gritou:
- Você salvou minha vida e não sei seu nome.
- Scarleth SlaysDead.

Fim.

Era uma vez algo real tao bom que parecia sonho

RIP Negao - 20/11/2003 / 08/11/2010

Um dia estava indo para casa quando vi numa lojinha pequena, 4 coelhos a venda.
Eram tao lindos, todo dia eu passava e ficava namorando os animaizinhos.
Comente com o Re, que na epoca era meu namorado ainda, e nos namoravamos so bichinhos juntos.
Num dia a tarde, ele me ligou falando pra eu encontra-lo na minha rua e disse: comprei um coelho pra vc!
E eu: mas cade o coelho?
Ele: Ta pago, mas vc tem que ir la escolher qual vc quer.

Havia 2 brancos, um mescladinho e um preto.
Tentei com os 2 brancos, nenhum me deu bola, o mescladinho fugiu de mim. E ai, quando olhei para o pretinho, me apaixonei. Ele olhou para mim e se jogou no me colo.
Daquele em dia em diante, eu tinha um coelho.

Ele ja teve muitos nomes... o dono da lojinha o chamava de Pelezinho. Por alguns minutos pensei em chama-lo de Pompom, porque o rabinho dele parecia um pompom.
Tentei nome de gente, mas meu pai so conseguia chama-lo de Negao. E assim ficou: meu coelho Negao.
De Negao, diversas variacoes: neguinho, neguti, negoelho, negrito, pretinho, pretao, pretudo, pretudinho, pretoncinho, entre muitos outros.
Tambem era chamado de Tutty, Tutty Frutty, ou Tutsie Frutsie.
E quando era bebe, chamavamos de Snapshot.

Ele me acompanhou por 7 longos anos, inclusive quando sai da casa dos meus pais. Morou comigo em Campinas, no Rio, em Macae. Ele viajava de onibus quando vinhamos para Sao Paulo, porque eu nao tinha coragem de deixa-lo sozinho.
Ele ia no meu colo no onibus, sempre muito fofinho.

Meu coelho vivia solto, e por isso era tranquilo. As vezes ele fazia xixi nas pernas das pessoas para marcar o territorio, ja que era macho.
Ele tambem me acompanhou quando minha mae morreu, ele me fazia companhia e lambia as lagrimas do meu rosto. Engracado como o Negao sempre sabia quando a gente tava triste.
Ele tinha um cortezinho em uma das orelhas, e sempre diziamos que se trocassem nosso coelho por outro, nos saberiamos! E que mesmo que ele tivesse misturado com mil coelhos pretos, no sempre saberiamos identificar o nosso.

Quando voltamos a morar em Sao Paulo, o Nego era o dono da casa. Pode escolher onde queria fazer as necessidades, mesmo sendo o pior lugar do mundo.
Sempre dava um jeito de burlar as regras que colocavamos, mas isso era divertido, a gente ia se adaptando com ele.
Foi nessa casa que ele envelheceu: parou de roer tudo que via pela frente, ficou mais calmo.
Sempre me seguia para o lugar que eu fosse, e quando chegava em casa, vinha da onde tivesse para me cumprimentar: andava em circulos em volta dos meus pes e depois ficava de pe, pedindo colo.

Apesar de ser muito companheiro, nunca foi um animal muito de ficar grudado. Sempre foi independente, comia, bebia, fazia suas coisinhas sem encher o saco. Ate para ganhar carinho e colo ficava pouco tempo, ele era bem na dele.

Chegou a ficar doente algumas vezes na vida, mas nada muito grande. Exceto quando sai da casa dos meus pais e deixei ele la por uns dias, ele parou de comer, beber e de se mexer. Nao acharam nenhuma doenca, e quando eu voltei para busca-lo, ele voltou a fazer tudo de novo: era saudade.

Recentemente ele estava com uns probleminhas nos olhos, nada grave. Ja imaginavamos que as doencas iam comecar a aparecer, ja que 7 anos para um coelho eh muuuuita coisa.
Eu sempre imaginei que a idade dos coelhos sao parecidas com a dos humanos... um coelho vive cerca de 8 anos. Uma pessoa vive cerca de 80 anos, logo cada 1 ano coelhal, da 10 anos humanos.

Desde os 5 ou 6 anos dele, ele ja nao era mais tao ativo, nao curtia mais atividades brutas como antes (como ser colocado de ponta cabeca). Ele ficava meio "desconjuntado".
O problema do olho perdurou ate que comecou a sair pus, e nos ficamos preocupados. Fizemos tratamento, estava melhorando, ate que surgiu um pedaco de carne pra fora do olho.
Procuramos um especialista e era um tumor. Tinha que operar.

Ele morreu no finalzinho da cirurgia, o medico disse que num momento ele estava la, e no outro ele simplesmente desligou. Tentaram de tudo pra ele voltar, mas a hora dele chegou.
Ele morreu dormindo, sem a dor que o estava acompanhando ha algumas semanas.
Estava lindo na mesinha, parecia um coelho dormindo e nao um coelho morto.

O medico disse que o tumor era muito maior do que o esperado, e que certamente era cancer.
Por fim, a natureza sempre sabe o que faz... os seres morrem antes de ficar insuportavel.

E entao, meu coelhinho Negao, que era tao fofo que parecia feito de nuvem, agora esta num lugar melhor. Dizem que os coelhos vao para um lugar chamado Rainbow, onde ha um eterno arco iris, sol e grama. E eles sao felizes la.
Gosto de pensar que meu coelho esta la, correndo pela grama e depois tomando agua na sombra pra se refrescar, deitado embaixo de uma arvore.

Ele foi um bom coelho, e disso sempre seremos gratos.

Peter Steele na saida do bar

Esse foi no meio da semana, e eu nao lembro exatamento de todos os detalhes:

Era de madrugada, estava uma noite agradavel, quente. Eu estava vestindo uma saia rodada, preta, estava bem bonita. Eu estava saindo de uma balada ou de um bar. Sai antes dos meus amigos, e estava esperando por eles na porta quando vejo o Peter Steele ali parado tambem.

Eu fico pensando se devo ir falar com ele, afinal aposto que esta sempre cheio de meninas atras dele e tudo o mais. E alem disso, ele pode pensar que sou uma groupie que quer sair com ele e acabar achando que estou dando liberdade para alguma coisa, quando na verdade so quero conversar, e isso me inibe um pouco de ir ate la.

Meus amigos saem da balada e eu aponto e digo que eh o Peter Steele e que estou com vergonha e com medo de ir falar com ele. Entao meus amigos me encorajam a ir, dizendo que eh uma oportunidade unica e que se o clima ficar chato eh so eu ir embora.
Entao eu vou ate ele. Fim.

Haagen Dazs Friday

Eu e uns amigos do trampo marcamos de fazer uma Haagen Dazs Friday, ou seja, um dia que nos encontramos, compramos sorvete Haagen Dazs e comemos que nem loucos ate nao aguentar mais.

Entao, eu, o Edgar e o Gustavo iamos ate a padaria, e la havia apenas um pote de sorvete Haagen Dazs de um sabor que eu nunca tinha visto: Pessego com doce de leite.

Eu achei que seria meio nojento, mas como era o unico sabor, acabamos comprando. Comecamos a tomar, e o sorvete era maravilhoso, uma das coisas mais gostosas que ja comi na vida. Fim.

Novo sabor de Haagen Dazs

Eu ia comprar sorvete da marca Haagen Dazs e havia um novo sabor. Era assim: tinha o formato de um pao de mel, por fora era chocolate, mas quando vc mordia, por dentro tinha sorvete de creme, era bem branquinho. Uma delicia. Fim.

Calote da academia

Eu e o Rê estavamos na academia, haviamos acabado de sair da piscina e íamos fazer musculação.
Então, um dos equipamentos que eu queria usar não estava bem ajustado para mim, e eu chamei o professor.
Ele me explicou que eu teria que ter avisado antes para que o equipamento fosse ajustado, e que era estranho isso não ter acontecido, porque, segundo ele, assim que se entra na academia, o sistema avisa quem está lá e caso haja necessidade de ajustes, eles são feitos automaticamente.

Foi aí que percebi que entramos escondido na academia, que não estávamos pagando a mensalidade. Por isso, desconversei e prometi para mim mesma que enquanto não pagasse direitinho, não ia ficar chamando o professor porque poderiam descobrir que eu estava dando o calote na academia. Fim.

Nus pelo hotel

Estavamos eu e o Reinaldo num hotel muito lindo, cheio de coisas legais para fazer, e tudo funcionava 24 horas.
Era de madrugada e resolvemos descer e passear.

Entramos no elevador, e aí eu percebi: estavamos sem roupa!
Quando olho para o lado, o Rê tinha desaparecido, e só estava eu, sozinha, nua no elevador.

Fiquei super nervosa, com medo do elevador parar em algum andar e alguém me ver lá sem roupa.
Daí a porta do elevador realmente abriu num andar qualquer, eu tentei me cobrir com as mãos, mas para minha sorte não tinha ninguém no andar.

Quando o elevador chegou no térreo, o Reinaldo estava lá me esperando com uma camisa bem comprida, ele colocou em mim, eu rapidamente fechei os botões.
Ele estava vestindo uma calça apenas, e disse que saiu do elevador para procurar uma troca de roupa para nós e achou essa que estavamos dividindo.

Agora vestidos, continuamos passeando pelo hotel, e exploramos todos os cantinhos do lugar, inclusive uma sala deserta que era usada como estoque. Fim.

Invenção de um novo jogo, o Xadrez Express

Devido a lentidão do jogo de xadrez, sonhei com novas regras, criei o Xadrez Express.
Nesse jogo as regras são simples, o tabuleiro começa vazio, e as peças devem ser adicionadas conforme a necessidade.

O objetivo ainda é o mesmo, matar o rei. E essa é a primeira peça que deve ser colocada.
A rainha, por ser muito eficiente, só pode ser inserida a partir da quinta rodada.
As peças devem ser colocadas no lugar certo, como no jogo original.
Assim, as partidas de xadrez duram apenas alguns minutos e se tornam muito mais dinâmicas. Fim.

"I aim to misbehave"

Esse sonho já faz um tempinho:

Eu ligo a TV e vejo o Justin Bieber, então quando vou prestar atenção no que ele esta vestindo, é uma camiseta com a frase "I aim to misbehave", usada na serie de ficção científica Firefly (que por acaso é a melhor série de sci fi de todos os tempos).

Então eu fico espantada com aquilo, e fico imaginando se Firefly vai se popularizar, ou se Justin Bieber ao menos sabe de onde vem a frase. Fim.

Deja Vu e ciúme

Era um restaurante/lanchonete amplo, igual daqueles de paradas rodoviárias.
Eu estava com o Rê e lá encontramos mais umas pessoas, que por acaso eu não conhecia ninguém, mas ele sim.

Esse outro grupo estava centrado numa menina, e o Rê ficou encantado com ela. Eu comecei a ficar com ciúme, obviamente, principalmente pelo jeito que ele a tratava.
Então, comecei a ter deja-vus do que ia acontecer... de coisas que ele ia falar e fazer pra ela que eu não ia gostar... e acontecia!

Fiquei muito irritada, e não sabia o que fazer, e os deja-vus ficavam cada vez piores. Então, eu peguei e falei abertamente, que eu queria ir embora, e quando me olharam estranho, eu disse:
"Eu sei que vocês devem achar que sou chiliquenta, mas eu não me importo. Não estou me sentindo a vontade com o que vi até agora, e eu sei exatamente o que está por vir, e por isso mesmo prefiro me retirar do que ficar aqui".

Eu achei que mesmo assim as pessoas iam continuar achando que eu era doida ou exagerada, mas todo mundo entendeu e toda aquela cegueira quase que mágica que estava rolando se quebrou, e as pessoas perceberam que estavam agindo como idiotas e todo mundo se dispersou. Fim.

Buquê de rosas

Esse foi há algum tempo:

Eu estava sentada no meu computador do trampo, quando me chamam para entregar uma Portaria. A Portaria é um documento publico onde se faz um ato administrativo.
Eu recebia uma Portaria me designando a ocupar um certo cargo, onde eu receberia o mesmo, trabalharia exatamente igual, a única diferença seria receber todos os meses um buquê de rosas.

Eu acho aquilo bizarro, e vou perguntar para a diretora o porquê disso. Ela me explica que eu ganhei a portaria pois as pessoas gostam muito de mim, e ela me parabenizou, dizendo que fazia muito tempo que ninguém recebia esse tipo de portaria.

Então, eu pergunto quem paga pelas flores, e ela diz que é retirado do salário de certos cargos, eu digo que é injusto, e ela diz que não, que está nas atribuições dos cargos, e me mostra a lei que criou aqueles cargos e realmente está lá.

Quando eu saio da sala dela, esta acontecendo uma festa de aniversário num setor e me convidam para entrar e comer o bolo. Eu entro e a parede está com a pintura descascando. Eu começo a cantar uma música da minha infância que diz assim:

"Desencosta da parede, que a parede solta pó
Pega logo no meu braço, que essa noite eu durmo só"

E por fim, eu começo a lamber a parte da parede que está caindo pozinhos, e tem gosto de abacate.

Minha mãe no curso

Ontem fui fazer um curso a trabalho e tive o seguinte sonho:

Eu estava me arrumando para ir para o curso, e minha mãe começa a se arrumar também. Ela diz que vai fazer o curso comigo.
Fico um pouco sem jeito, querendo falar e sem saber como, então eu tomo coragem e digo que o curso é pago pela Câmara e que provavelmente ela não vai poder fazer, já que o nome dela não está na lista, e ela diz que vai mesmo assim e que dá um jeito na hora.
Por fim, eu pergunto "e se você não puder entrar, vai fazer o que?" e ela respondeu "volto para casa". Fim.

Segunda Tirinha

Hoje eu ja voltei a dormir melhor :)

Vou postar minha segunda tirinha.
Quando tiver sonhos eu posto novamente.


Bloqueio de sonhos e tirinhas

Então, faz umas semana que não posto nada pois estou com um bloqueio de sonhos, não sei exatamente.
Tive uns 2 ou 3 sonhos nesse meio tempo, no máximo, e depois não tive mais!
Não sei o que está acontecendo, tenho sonhos sem sentido, apenas imagens e somem muito rápido da minha memória... sem contar que não estou conseguindo dormir profundamente nem descansar tão bem nessas últimas semanas também.
Não sei o que está acontecendo, acredito que seja uma fase.

Já já vai passar e vou ficar boa e presentea-los com meus sonhos malucos novamente!

Enquanto isso, eu continuo com meu "day dream", em português, sonhando acordada.
Eu invento narrativas, personagens, situações, tudo na minha cabeça.

Resolvi escreve-las em forma de tirinhas, não são absurdamente engraçadas, então queridos leitores, se é que vocês existem, favor não ir com muita sede ao pote.
Mas dá pra dar uma risadinha leve, daquelas que você só ri com o ombro e o cantinho da boca.
Ah, e como não sei desenhar, eu tô fazendo num site que cria o fundo e os bonequinhos pra mim, então eles não tem movimento nem expressão, o que importa é o textinho mesmo.
Quem não tem cão caça com gato :P
O link do site é o seguinte:
Witty Comic


Vou postando aqui minhas tirinhas enquanto meus sonhos não voltam.

Enjoy! (ou enjoe)



Clica na tirinha pra ver em tamanho decente, aqui fica difícil de ler, e apesar de estar fuçando há algumas horas, não manjo o suficiente de html pra colocar de maneira legível.

Fim.

Serial Killer

Esse sonho já faz um mês, talvez mais. É bem comprido e eu estava com preguiça de digitar. Acordei bastante assustada. Nesse sonho sou expectadora, com exceção da cena final.

Era uma vez uma criança. Ela andava na rua despreocupada, brincando, pulando. Passava em frente a uma praça, era uma tarde de verão muito agradável.
Então, ela vê uma pessoa dentro de um bueiro enorme. O bueiro era muito antigo, não era mais usado para escoar esgoto, estava seco.

Ela viu esse homem dentro do bueiro e ficou intrigada. Resolveu entrar atrás dele e ver o que tinha lá.
Entrou e se deparou com uma galeria subterrânea, no centro da galeria havia um corpo de mulher. O homem cortava os dedos dessa mulher na área onde havia a unha pra cima e guardava esses pedaços no bolso.
A menina ficou assustadas, mas não gritou. Continuou observado. Ele não sabia que ela estava ali.

Quando ele terminou de cortar, se afastou do corpo e olhou de longe para contemplar. Foi aí que a menina viu que aquela mulher morta era sua mãe. E foi aí que ele viu a menina.

Ela ameaçou correr, mas ele a alcançou. Ela achou que seria a próxima vítima, mas não, ele tirou do bolso os dedos/unhas da mãe dela e mostrou pra ela, ela conseguiu se desvencilhar e saiu correndo para fora do bueiro, enquanto ainda podia ouvi-lo rindo de maneira grotesca.

Quando voltou a praça, estava tudo tranquilo e calmo como era antes. Mas algo havia sido roubado: sua inocência. A despreocupação de criança de que nada de ruim pode acontecer.

Quando chegou em casa, ainda tentando acreditar que aquilo que vira fora um sonho, entrou direto na realidade. Sua vó estava nervosa, havia muitos parentes ali. Ninguém explicava para ela o que estava acontecendo, mas ela não conseguia brincar e ignorar tudo aquilo.
Conseguiu entender que sua mãe havia sumido. E só ela sabia o que tinha acontecido.
O corpo nunca foi encontrado, a história que ela contou foi ignorada, como imaginação infatil. Mas ela sempre soube, e nunca ia esquecer o rosto daquele homem.

Ao longo de sua vida, muitas vezes acordava banhada de suor após ter um pesadelo com aquele homem. Via seu rosto no lugar do corpo de sua mãe.
Durante a adolescência, ela sempre lia os jornais, procurando crimes parecidos: Corpos com as pontas dos dedos mutilados.
E encontrava!

Cada uma dessas vítimas tinha como nome ou sobrenome alguma semelhança com seu próprio nome, e ela sabia que isso era um recado.
Que ele sabia quem ela era, sua única testemunha, e que um dia ele ia voltar para pega-la.

Um dia, ao assistir televisão, viu aquele rosto numa chamada de nova novela. Ficou ali o dia inteiro, esperando rever a chamada da novela e ter certeza de quem ela vira.
E mais uma vez ele estava lá! Sorrindo. Era o novo galã da novela das 8.
Não era possível que o jogo tenha virado dessa forma, agora ela sabia quem ele era e onde poderia encontrá-lo.

Quando chegou a maioridade, a avó que a criara faleceu. Ela se aproveitou dessa situação para sumir no mundo, não tinha mais parentes, nem ninguém. Seu nome era comum e cheio de homônimos.
Nunca mais assinou nada em seu nome, nunca mais deu seu endereço para ninguém. Assinou uma caixa postal para receber correspondências, não tinha telefone, morava numa pensão onde não lhe exigiram nenhum tipo de documento.
Pagava em dinheiro, não tinha conta em banco. Era a única pessoa de se sentir segura: ser totalmente irrastreável.

Agora ela sabia quem ele era, e ele a perdera no mundo.
Depois de todos aqueles anos sendo assombrada por aquele homem, ela jurou vingança, e iria assombrá-lo de volta.

Passou a frequentar as festas da emissora de TV que ele trabalhava. Conseguiu emprego temporário para servir nos buffets, e passou a espiona-lo.
Tinha certeza que era ele, e tinha que faze-lo se mostrar na frente de todas aquelas pessoas.

Passou a escrever bilhetes anônimos, dizendo que sabia quem ele era e o que ele tinha feito. Numa entrega de prêmios da televisão onde ele foi premiado, fez questão de aparecer na primira fileira com um vestido vermelho sangue. Ele a viu, mas não podia fazer nada... tinha que dar seu discurso.
Quando terminou o discurso, teve que tirar fotos, cumprimentar, puxar o saco. Quando se voltou para onde ela estava, já havia sumido.

E foi assim por um bom tempo, sua única diversão era assombrá-lo.
Fez muitas amizades no meio artístico, amizades verdadeiras. Entre eles, arrumou até um namorado. Para esses amigos, ela contou a verdade e eles acreditaram nela, prometeram ajudar a desmascarar aquela farsa.
Lembraram do caso do Guilherme de Padua, que matou a atriz Daniela Perez, e juraram que não deixariam isso acontecer novamente.

Num dia, ela recebe uma carta, sem destinatário. Nessa carta tinha um convite para uma festa muito exclusiva de celebridas, e junto uma unha.
Ela entendeu na hora de quem era, chamou seus amigos e todos resolveram ir a festa juntos para pegar aquele safado.

Passou uma boa parte da festa, e ele não tinha chegado. No salão principal havia um chafariz enorme, lindo, e descendo as escadas atrás do chafariz era a entrada para o banheiro.
Quando ela foi ao banheiro, chegando ali atrás do chafariz, havia um corpo de uma atriz muito famosa, muito bonita. Estava boiando na água e os sinais estavam ali: faltavam a ponta dos dedos, bem onde estavam as unhas.

Ela saiu correndo para o salão, e lá não tinha mais ninguém! Ele deu um jeito de esvaziar a festa!
Ele estava na rua e o que separava o salão da rua era uma grande porta de vidro.

Então, ela foi até a porta correndo, sabendo que tinha alguma armadilha lá dentro para extermina-la. Quando ela chega na porta, que estava aberta, ele estava com uma tesoura na mão e foi entrando salão a dentro, tesoura em punho pronto para "esfaquea-la" com a tesoura.

O que ele não esperava é que ela fechou a porta com tudo na cara dele, e ele ficou meio nocauteado.
Quando tentou entrar novamente, ela deixou entrar um pouco da cabeça, e fechou a porta novamente, bem no pescoço, e ficou abrindo e fechando, várias vezes, com a força enorme que só a raiva acumulada por tanto tempo poderia ter.

Ele foi decapitado. Dentro de seus bolsos, havia os pedaços dos dedos da atriz morta no chafariz, o suficiente para ser identificado como o assassino.
E as fitas de segurança provariam a legítima defesa.
Quem ri por último, ri melhor. Fim.

Regressão

Eu estava no corredor de um prédio na Avenida Paulista, e não queria bater na porta do apartamento.
As pessoas que estavam comigo me pressionavam para entrar, diziam que não teria nenhum problema.

Entramos no apartamento, tinha mais gente lá dentro. Queriam fazer uma regressão.
Eu dizia que não acreditava nessas coisas e que não iria fazer.
Por fim, me convenceram de que se eu não acredito, não tinha problema em fazer que não ia dar em nada.

Sentei no sofá e começaram a tal regressão. Eu dormi de tão entediada, porque não acontecia nada.
Quando acordei, não quiseram me contaro que aconteceu, fique com raiva e fui embora sozinha. Fim.

Fim do mundo

Acontecia algum tipo de fim do mundo na Terra, mas o mundo não acaba de vez, ele ia acabando aos poucos.
Eu estava com outras pessoas, andando por aí, procurando um lugar para ir ou ficar. Não havia mais governo, nem organização, nem infra estrutura básica (energia elétrica, água encanada, meios de comunicação, etc).

Era final de tarde. Andamos até um lugar onde haviam trilhos de trem. Eram vários trilhos, mais de 10. Ficamos pensando em como fazer um trem funcionar, e vimos que haviam um tipo de plataforma de carga andando bem devagar no último trilho.
Talvez essa plataforma funcionasse a partir de algum tipo de energia mecânica, como aquelas alavancas para mover carrinhos em trilhos.

Avançamos por sobre os trilhos, havia algumas crianças com o grupo. Eu reparei que eles tentavam passar por baixo dos trilhos, corri até elas e as impedi de fazer isso.
Mostrei que iriam ficar esmagados lá embaixo conforme as pessoas passassem por cima, e enquanto falava isso e mostrava, vimos pedaços de dedos de mãos humanas naquele local, como se alguém tivesse colocado a mão ali e perdido os dedos.
As crianças se assustaram e obedeceram.

Continuamos andando em direção aos trilhos, quando chegamos, todos sentaram na plataforma. Eu fiquei bem na frente, queria ver para onde iríamos.
O trilho continuava um pouco mais a frente ainda em terra, e depois era elevado e passaríamos por cima da cidade. Isso nos daria uma noção maior do que acontecia.

Então o Rê me disse que queria ficar lá atrás, que queria descansar e que haviam colchonetes no final. Eu disse que ele podia ir, mas eu queria ficar na frente, vendo tudo. Ele acabou ficando comigo e dormiu de maneira desconfortável ali mesmo.

Enquanto a plataforma andava, víamos pessoas maltrapilhas lá embaixo, andando de um lado para o outro, procurando no lixo algo que pudessem usar. E havia muito lixo. As lojas foram todas saqueadas, casas invadidas, janelas quebradas, portas arrombadas.
A visão era muito deprimente, e torci para que ninguém tivesse vendo. Quando olhei para trás, vi que a maioria das pessoas estavam dormindo, de tão cansadas, e fiquei feliz por eles não terem visto aquilo.

A plataforma continuou em movimento por mais um bom tempo, muitas e muitas horas, era noite. A paisagem foi mudando, da cidade foi indo para o interior, e vi que estavamos descendo a serra. Passamos por sobre a mata atlântica, e aos poucos pude avistar a praia.

Quando chegamos na praia, já era de manhã. Acordei a todos, a visão era promissora. Não havia pessoas, nem desgraça. Era apenas a praia, deserta, paradisíaca.
O trilho voltou a andar direto no chão, e percebemos que depois que chegasse na areia, ele ia subir de novo até o meio do mar... e dali não sabíamos para onde ia, se é que havia uma continuação nos trilhos.

Resolvemos descer na praia e acampar por ali. Mar e floresta significa comida, peixes e plantas. Vimos até um rio que desaguava no mar, onde poderíamos beber água.
Descemos da plataforma enquanto ela continuou a andar vagarosamente em direção ao mar.

Todos se ajeitaram na terra firme, e resolveram montar acampamento. Eu queria ficar longe de água, com medo da maré subir e levar todas as nossas coisas, mas o Rê me chamou para uma área da praia e disse: vamos por nossa barraca aqui.

Eu expliquei o que achava sobre acampar ali na areia, e ele disse: Aqui não vem a maré alta. Olha só!

E quando olhei, tinha uma planta do lado de onde ele deixou as coisas, e essa planta dava frutos: morangos!
Fiquei tão contente de ver morangos frescos depois de tanto tempo. Peguei um na hora e mordi, ele sorriu pra mim, me abraçou e disse: sabia que você ia gostar dos morangos.
E ficamos ali, abraçados, vislumbrando uma nova era. Fim.

Amante, marido e chefe

Eu estou com um cara, gosto muito dele, ele é muito bonito e tudo o mais. Estamos juntos quando ouvimos um baraulho. Ele se esconde e no recinto entra um outro homem, que no caso era meu marido.

Nessa hora percebo que estava com o amante, e agora chegou o marido, e eles eram a mesma pessoa.
Então, o marido diz para irmos para a festa da empresa, e quando chegamos lá, encontro meu chefe que também era chefe do marido.

Ele pagava absurdamente bem para nós dois, muito mais do que deveríamos ganhar. E esse chefe também era a mesma pessoa que o marido e o amante. Fim.

Cara estranho no trem

Eu estava num trem, voltando para casa.
Era bem tarde da noite já, e eu não estava a fim de conversar com ninguém. Estava sozinha e um pouco apreensiva com que tipo de pessoa que talvez eu me deparasse no trem aquele horário.

Estava procurando um lugar para sentar e achei. Nessa procura, andei por metade do vagão, e um cara todo tatuado, meio sujão e mal vestido, mal encarado, veio atrás de mim.

Ele sentou do meu lado e começou a conversar, eu não queria muito conversar mas achei melhor ser educada do que irritá-lo, afinal, além de não parecer boa coisa, estava acompanhado.

Conversamos um pouco até que chegamos na estação final, onde todos iriam descer. Aproveitei a aglomeração e me livrei do cara. Fim.